Por muito tempo a educação me chamava, mas nunca soube como chegar a ela de maneira satisfatória. Na verdade, nunca tinha acreditado que pudesse de fato educar alguém. Existem tantas pessoas mais bem articuladas e decididas no mundo, por que eu me daria bem nisso? Por que me levariam a sério?
Mas o problema era que eu não me levava á sério. Talvez isso fosse culpa daquela professora da 1ª série que me chamou de burra e talvez também minha vontade de educar viesse daí: da vontade de mostrar á todos que são capazes do que quiserem.
E tanto eu quis, que a vida me levou para diversas instituições educacionais, que foram me permitindo enxergar como é importante a construção de um olhar coletivo sobre o mundo. Da academia às salas de aula; museus (de história, de ciência) e á Bienal de arte. Todas essas esferas me falaram da participação do outro na construção do conhecimento.
Mas foi a arte, sem dúvida a forma mais potente de concretização deste “fazer coletivo”, foi ela que mais se aproximou daquilo em que eu acreditava. E a proposta do educativo da Bienal conseguiu transportar para um pouco mais perto da realidade esta proposta pedagógica que em outros lugares se dá exclusivamente através do discurso.
E logo eu, que embora gostasse de arte nunca tivesse pensado que isso fosse pra mim, além de nunca ter entendido essa tal "arte contemporânea”, consegui me enxergar nesse universo, com olhos voltados pra mim, sedentos por novidades, buscando o conhecimento de algo novo, do mundo, da arte... E me vi servindo de ponte, ligação entre esses mundos outrora separados.
Percebi que era isso que queria fazer. Ser ponte, unicamente.
E cada vez que vejo esses olhinhos brilhantes, sedentos por novidade, vibro e sinto que essa é a melhor coisa a se fazer e o é justamente por que não se faz sozinho.
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