A matéria coloca o MPL (Movimento Passe Livre) e o movimento organizado no mês de janeiro contra o aumento da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, (que subiu de R$2,70 para R$3,00, reajuste acima da inflação) na situação de "baderneiros", "gente irrelevante", além de generalizar classificando só como estudantes os participantes do movimento. Muito me preocupa a posição descaradamente repressora e antidemocrática de um dos maiores veículos de comunicação do país, que incita a utilização do gás de pimenta pela polícia, como instrumento "didático" para que se evite manifestações desta natureza. (A última vez que a imprensa brasileira apoiou a repressão das forças armadas, vivemos períodos difíceis e 20 anos de ditadura militar, abramos os olhos!) Sabemos que não vivemos em tempos de totais liberdades democráticas, contudo há ainda um resquício de uma tal democracia (que ao que me consta vem do grego governo do povo) nos atuais moldes sociais que conhecemos. E, em tempos de pensamento e de posições políticas e idológicas livres - e não libertárias - não há o que temer: o grande capital assugura-se nesta condição de possibilitar a diversidade dentro da unidade. Trata-se do que então? Da simples manutenção da ordem das cidades? Do apoio irrestrito à repressão de um grupo político que está começando a incomodar? De propaganda política escancarada aos partidos mais direitosos do país? Creio que trata-se de tudo isso.
Mas, temos de pensar que democraticamente o povo - que está, ou deveria estar, representado pelo poder público - têm sim o direito de colocar sua cara nas ruas e lutar por aquilo que acha incoerente, por aquilo que discorda integral ou parcialmente.
E este poder de mobilização popular vai desde o aumento da passagem de ônibus à uma nova organização social. E por que não pensar coletivamente uma nova forma de transporte público ou de (re)produção da própria vida?
A resposta é simples: tanto uma coisa quanto a outra não gera lucro, não faz os grandes empresários regozijarem-se felizes em suas BMW enquanto (e às custas de) milhares de trabalhadores esmagam-se em ônibus lotados. O fato é que o empresário não sente na pele o sofrimento de chegar cansado ao trabalho e voltar pra casa cansado sem sequer poder relaxar e por isso nunca vai enteder por que o povo está saindo às ruas, lutando não só pelo seu dinheiro que se esvai a cada reajuste acima da inflação, mas também (e indiretamente, muitas vezes) pela redução do lucro do empresário - princípio que fere frontalmente um dos alicerces do capitalismo.
E veja bem, não estou falando em sensibilidade, ou de solidariedade não. Isso, são questões mais singulares. Falo de humanidade, esta sim é uma questão particular que não pode sequer ser ponderada por aqueles que fazem o maior jogo político do país (e do mundo). Mas temos de pensar: se a polícia - que reprime àqueles que tem o direito de usar a sua voz - é "a democracia de farda, mobilizada para assegurar direitos", que direitos são estes que ela assegura, que democracia é esse que não deixa seu povo falar?
E indagando isso, nota-se que se faz urgente propor, pensar, dicutir e organizar uma sociedade, na qual este tipo de falácia não seja possível, onde impere apenas a humanidade em toda a sua pureza de significados.
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