sábado, 23 de abril de 2011

Sob o peso dos meus amores*

Vazio. Talvez fosse isso que quisesse voltar a sentir. Para poder me preencher com palavras novas, gestos desconhecidos, lembranças doces, qualquer coisa que fizesse me sentir leve.
E assim foi, no desenrolar do dia, nos vários momentos em que pude ver o sol e sentir como ele incidia sobre as superfícies da terra em diferentes horários.
Improvisar e agir por impulso, sem ter certeza de nada ou de como as pessoas reagiriam aos meus impulsos, o que pensariam. O que importava naqueles momentos de maior lucidez e auto conhecimento era simplesmente sentir.
Havia poesia no mundo - sim, ainda havia esperança - e mesmo que por muito tempo ela tivesse escapado de todos os meus sentidos hoje a tinha, com uma força tamanha, tão bruta, que não queria tirá-la de mim.
A leveza é algo que enche o coração de calor, que aquece a alma que liberta de todas as correntes e amarras, que faz sorrir. E sorrir sincero.
Mas como ser completa e completamente leve, se me entrego ao desfrute de carregar o peso do outro, o peso do mundo? Como ignorar aquela dor, ali tão perto? Como fazê-la enteder e superar tudo aquilo? Como lhe dizer que por mais que eu diga ou faça é ela mesma que tem que escolher a superação em detrimento da dor? E sendo assim, como ser leve por completo, por um dia inteiro?
Não sei como faze-la perceber isso. E saber o quanto lhe quero bem e o quanto me sentir de mãos atadas sobre tudo (sobretudo) me faz mal. Não é ela nem sua dor que me incomodam, mas minha incapacidade de lidar com a dor alheia, como alheia a mim e não minha.

*José Leonilson

1 comentários:

Anônimo disse...

Lu, obrigada pelo dia de ontem.
Eu não quero te fazer mal tbm, nao quero te consumir com coisas que já são desimportantes.

te ver asssim nao plenamente leve me faz querer tirar isso de dentro de mim com a mao, por voce.
mas eu preciso fazer isso por mim primeiro né.

já tentou lavar o interior de um frasco de shampoo? vc coloca água e chacoalha e sai um monte de espuma, joga fora e poe mais água, sai um monte de espuma. e de novo e de novo e de novo. demora muito até nao ter mais nada.

eu quero conseguir isso. sentir que de cada canto nao sobrará vestígio de nada disso.

eu quero mais dias como os de ontem. eu quero pra mim só pessoas que me mostrem que ainda há poesia no mundo e que o sol nasce pro leste.
como voce.

obrigada e desclpe-me por tudo.
te amo.


vou ficar anonima, mas voce sabe.

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