Vasculhar a memória atrás de lembranças adormecidas e conseguir acordá-las pode ser um dos maiores exercícios da busca de si mesmo. Não que não acredite que as pessoas não conheçam bem a si próprias, mas creio que antes de carregar as certeza sobre o mundo é importante buscar as referências que te tornaram aquilo que você é.
E isso é um exercício que deve ser repetido pela vida toda, pois não temos como nos manter intactos e imutáveis diante da vida, com o passar dos anos. E é engraçado como as coisas vão fazendo sentido quando você começa a enxergar sua vida como uma rede de conexões e referências, que construiram tudo aquilo que você é e acredita. Me pego pensando se todas as pessoas, sem exceção, inclusive aquelas que vi numa foto do ensino médio das quais nem lembro o nome, me deixaram sua marca. Quais foram as marcas que ficaram de cada uma das pessoas com as quais me relacionei de alguma forma durante esse 25 anos? Difícil saber. Qual marcas eu posso ter deixado em cada uma delas? Mais difícil ainda.
É nostalgico lembrar e é reconfortante também, poder olhar para uma dor do passado e saber que as dores passam. Como tudo, contudo.
Essa é uma sensação que nos faz sentir fortes. Hoje, não tenho mais medo de sentir dor. Ela é natural, inevitável muitas vezes. Só não me permito mais deixar de viver e não coloco mais o medo da experiência acima do prazer da entrega. Quem não se entrega perde inevitavelmente a melhor parte da vida, perde suas cores, texturas, sua poesia. E uma vida sem poesia, dizíamos eu e minha querida irmã, deve ser tão sem graça. Não deve ter surpresa, nem choque.
Estou motivada a fugir radicalmente da previsibilidade. Não quero ser previsível, não quero estar com quem é. Quero levar comigo, sempre só aquilo que me faz sentido, que me faz bem, que deixa à vontade. Quero me entregar à vida e às pessoas sem medo, nem ressentimento. Não quero mais passar pelas experiências. Quero que elas passem por mim e me toquem, na verdade, quero vive-las com os cinco sentidos e em todos os sentidos possíveis.
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