Tenho a impressão de que vou te perdendo aos poucos... De que me escapas por entre os dedos e que não te posso segurar. Poderia dizer que seria inevitável, se pudesse olhar em teus olhos de bruma em que não me deixas penetrar. Mas a distância - não só física - não me permite que te olhe, que te toque, que te sinta perto. E parece querer estar perto de outra pessoa. Parece não querer estar perto de mim.
Sempre crio monstros, dragões quixotescos que combato em minha mente e nunca sei o que fazer para destruí-los. Então, passo a alimentá-los dia após dia e assim vão crescendo, crescendo e por fim, devoram-me. Não sei bem de que matéria são feitas as ilusões e por isso vou me perdendo nelas. A realidade serve apenas de pano de fundo, de materia-prima para esse reconstruir ilusório, que me move a brigar com meus moinhos de vento.
Mas e se tudo isso não passar de um pressentimento de que algo vai mal? E se de fato existir esse abismo que nos separa não na distância, mas no sentimento? E se de fato houver a inverdade? E como chegar em você, se não me deixas se quer a certeza de que já fomos nós, sem outros?
Quantas intermináveis vezes já me perguntei quando terminou a fantasia e começou a realidade do que é viver junto. Sim, visto que isso não é fácil e que ninguém disse que seria. Porém, terminar o primeio tempo derrotado não sigifica necessariamente perder o jogo. Mas desanima continuar, o time entra em campo desmotivado, a partida perde o brilho.
No entanto, prefiro que as coisas saiam mal - verdadeiramente mal - do que ficar me degladiando com fantasmas alucinados que me visitam dia e noite e tiram meu sossego por nada. Talvez seja necessário uma terapia, talvez férias das férias... Talvez te ver bastaria. Mas aí reside o outro problema que me tem assolado. Não quero ter de precisar de alguém ao meu lado para me sentir segura ou em paz. Há que se matar os monstros com nossas próprias armas. Não foi sempre assim?
1 comentários:
pois é, Lu.
pois é.
pode até ser os dragões sejam moinho de vento.
p.s: tá escrito minhos de vento no titulo. e não moinhos.
adorei :D
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