Olho-te de perto, em silêncio. Apenas te olho.
Procuro em seu olhar alguma coisa na qual possa me agarrar: não a encontro. Não sei se o que procurava estava contido em ti ou em mim, mas agora me parece esvair-se, não existe mais. Mesmo com a presença constante é a ausência que me faz companhia, é com ela que divido minhas noites, minhas angústias, meus conflitos familiares, não contigo.
Não tenho companhia embora tenha e sigo me perguntando dia e noite: até quando? Até quando conseguirei seguir sozinha na presença tua?
Não sei. Nunca fui muito de durar e agora que duro, não duras. É a transitoriedade da vida e das coisas, a efemeridade do mundo. É quase a lógica do consumo extendida às relações humanas: isso de só querer algo novo sempre, pois depois que nos acostumamos nos tornamos indiferentes, daí é hora de trocar. Porque o novo sempre traz a alegria de reviver os bons momentos...
E continuo olhando-te de perto mergulhada nos meus pensamentos, sozinha. Quero agarrar-me aos nossos instantes. Quero tornar estes momentos - que podem ser nossos derradeiros momentos - eternizados. Quero eternizar o que foi você em mim.
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